Tuesday, April 06, 2010

Outros Temperos




Quando penso no crescimento que as pessoas fazem nas suas vidas, lembro-me de Fernando Pessoa e da frase que ele dizia, qualquer coisa como - "consigo viajar sem sair do meu quarto" e pensava que havia qualquer coisa de errado nesta frase. É que vivermos da imaginação tem muitos perigos...


Hoje encontrei este blogue e este texto que me fez pensar no meu crescimento interior:



O meu Big Bang pessoal deu-se aos trinta e quatro anos de idade. Com a maternidade. Não porque fosse um sonho tornado realidade, porque nem sei se seria bem um sonho. Além de que a maternidade trouxe também consigo um peso, tão grande, tão grande que às vezes até me faz esquecer as coisas boas. Mas depois vem aquele abraço forte dos filhos e tudo, mas tudo, fica para trás. Mas nada volta a ser igual e vem-me à cabeça as palavras do Miguel Sousa Tavares "o mundo divide-se entre os que têm filhos e os que não têm". Nada pode ser mais verdadeiro. Ter filhos é conhecer um circulo diferente todos os dias. É ser surpreendido ou apanhado na teia todos os dias. São universos e universos novos que se vão abrindo até arrebentar de alegria ou de tristeza. São os opostos. É muito dificil explicar isto a quem não tem filhos ou simplesmente aos homens. Eles compreendem e sabem. Mas não sentem o turbilhão de emoções que arrasta uma mãe.
Os mais sábios até nos presenteiam com pérolas do género "então estás mais gordinha", ou "então já não sais à noite", ou "as mulheres depois de terem filhos deixam de se cuidar", coisas deste género. À maior parte fui acenando com a cabeça, de outras partes fui-me afastando.
Exigem tantas coisas à mulher, ufa. Que tenha um trabalho cool, que seja magra, que tenha a casa sempre apresentável, se for boa cozinheira ainda melhor, que saiba cuidar dos filhos, que ainda tenha tempo e disponibilidade para o marido de sorriso na cara. E às vezes até são os mais próximos que nos surprendem com exigências hercúleas!
A partir do momento em que se deu o meu Big Bang cresceu-me uma corcunda que transporta todo o peso do meu círculo às costas. Tenho medo de ficar presa a certos círculos. Isso assusta-me, fujo de ser a "mulherzinha" que os outros falam... Revolto-me contra os rótulos que me colocam. Às vezes até fujo de mim própria. Depois leio estes textos e penso que os meus círculos têm crescido tanto, mas tanto. Mas por vontade própria. Porque recuso-me a não participar na vida. Recuso-me a ver a vida a passar ao lado, porque tento conhecer mais e mais e mais. E quando estou quase rota de tanto cansaço ainda tenho espaço para ir um bocadinho mais longe. E não, não estou arrependida. Mas também não sou mais a mesma. Quanto a ser "mulherzinha", se ser mulherzinha é ir para frente e passar horas a passar a ferro, limpar a casa, forrar gavetas, pintar berços, etc, sim, sou mulherzinha. Se sou mulherzinha porque gosto de bordar e fazer quilting, sim sou mulherzinha. Se sou mulherzinha porque depois de um dia de merda no trabalho, chego a casa e aturo a má disposição do outro, as birras do filho e ainda tenho paciência para estar a fazer um trabalho até às duas da manhã para a Universidade, num dia em que três dos computadores que temos em casa decidiram não funcionar, sim sou mulherzinha. Sou mulherzinha em muitas coisas, mas também sou muito mais que isso, sobretudo sou um ser insaciado e quantos aos outros e aos seus rótulos façam o favor de ir à merda.



Saturday, February 07, 2009

Onde estão as palavras?


Tuesday, March 13, 2007


Thursday, March 01, 2007


Thursday, February 22, 2007

Uma questão de sexo

Sinto-me sempre embaraçada quando me perguntam se queria que fosse um menino ou uma menina. Imagino que deve ser o mesmo tipo de embaraço que sentia quando me perguntavam se gostava mais da mãe ou do pai. Ou perguntar aos pais de qual filho é que gostam mais? Sinto-me o rato em frente da ratoeira, sabendo que aquilo é uma ratoeira...
Ou então aquelas pessoas que afirmam, com uma convicção absolutamente extraordinária, qual o sexo da criança, apenas pela visualização da minha cara, ou da minha barriga...

Monday, February 19, 2007

Hora H

O regresso do Herman foi triste. Pronto. Não gostei das personagens. Não gostei dos textos. Nem sequer consegui achar piada aos tiques dele que me fizeram chorar a rir no passado. Acho que a palavra exacta é saturação. Dele e dos que o rodeiam. A excepção só mesmo a Maria Rueff. O resto foi mais do mesmo.

Friday, February 16, 2007


Apareceu no mercado um "aparelho" que promete revolucionar o trabalho na cozinha.


"Esta ajudante de cozinha, imbatível, doze vezes patenteada, inovadora e sem rival, combina numa só máquina funções de dez processadoras. A Bimby tem capacidade para fazer quase tudo a uma velocidade inacreditável. Pica, rala, corta, bate, amassa, moe, tritura, pesa, emulsiona e cozinha! E......até cozinha a vapor e lava-se sózinha. (sózinha?) O seu manuseamento fácil e rápido torna-a o parceiro essencial na cozinha. "
Estão a ver não estão? Chegamos à parte do preço. Coisa pouca diz-me a demonstradora, face às potencialidades desta preciosidade, são uns mero mil euros... Desculpe?


A mentalidade portuguesa como ela é


Estão a sair para o mercado de trabalho os primeiros estudantes que terminaram os seus cursos restruturados segundo o Processo de Bolonha.

Segundo parece estas mudanças curriculares, ao nível dos métodos pedagógicos de ensino/aprendizagem, passando pela investigação científica entre outros teriam como objectivo criar um espaço europeu de ensino superior que facilitasse a mobilidade e a empregabilidade dos estudantes. Não esquecer que em termos práticos os cursos iriam sofrer uma diminuição na sua duração: as licenciaturas passavam de cinco para três anos. E os mestrados passariam a ser feitos em cinco anos. Mas aqui o que interessa era a qualidade e não a quantidade. Aliás aspecto que já toda gente estava farta de discutir. Já há muito se falava na necessidade de uma reestruturação no ensino superior português.

As matérias, os manuais, as próprias teorias educativas precisavam de ar fresco. Cursos enfadonhamente teóricos que não preparavam minimamente os alunos para o mercado de trabalho. Quantos alunos de direito sairam dos seus cursos sem saber escrever uma petição inicial ou sem nunca terem visto uma notificação? Casos destes há aos milhares. O que dizem os que tiram pós-graduações no estrangeiro? Que num ano lá fora aprenderam mais do cinco anos cá dentro.

No entanto o que é que acontece quando estes alunos, entram no mercado de trabalho actual? São vistos como alunos acabados de sair de cursos “menores”. Isto é quem andou cinco anos a queimar as pestanas, mesmo que tenha sido para agora não se lembrar de nada, nem que metade das matérias que tenham decorado não sirvam na prática para nada, é que são o máximo. Os actuais estudantes são uns nabos porque só tiveram três anos de curso. E portanto não podem querer receber os mesmos ordenados que os que tiraram os cursos antes do processo de Bolonha.

Palavras para quê?

As leis do mercado

Porque será que não me admira nada a nova oferta da família Azevedo pela compra das acções do Grupo PT? Afinal o Sr. Belmiro é perito nestas surpresas. A PT teve que se esmifrar para conseguir ter lucros de forma a que os accionistas não vendessem as acções. Os funcionários, claro está, é que pagaram. Suspenderam-se as carreiras, as formações, os aumentos, o investimento, pelo meio de alguns despedimentos sob forma de acordos mútuos de cessação de trabalho, enfim.
Mas em prol de quê? Em prol de meia dúzia de accionistas que nesta altura já ganharam mais de mil milhões de euros com a subida do preço das acções...
Grande parte destes grandes accionistas são entidades bancárias que também já apresentaram este ano milhares de euros em lucro.
Os trabalhadores portugueses, já não falo só nos que trabalham em empresas privadas, também os funcionários públicos, começam a perder, a olhos vistos, as regalias que a geração dos nossos pais lutaram tanto para conseguirem. Em prol de quê? Para sermos mais competitivos face ao mercado internacional? Qual mercado internacional? Com a China? Que quer estabelecer laços comerciais com Portugal porque por cá temos ordenados baixos? E não reclamamos?
Porque é que não estabelecemos laços comerciais com a França, cujo ordenado mínimo é de 1.250€? E prepara-se para subir para os 1.500, caso ganhe a candidata socialista, Ségolène Royal?

Thursday, February 15, 2007

Que bonito papel de parede



Vasco Araújo, Trabalhos para Nada, A Mulher que casou cinco vezes, 2007

Prémio BES PHOTO, no CCB, até 18 de Março."Utilizo sobretudo painéis, como se fossem bocados de parede arrancados do interior de casas. A primeira instalação tem como subtítulo A Mulher que se casou cinco vezes. Conta a história (inventada) de uma mulher que se casou cinco vezes, porque tem pavor de ficar sózinha."

Reportagem de Pedro Faro, na L+Arte Fev. 2007

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